A logística global e nacional atravessa um período de intensa volatilidade, impulsionada pelas oscilações constantes no mercado de commodities.
A crise geopolítica envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, somadas às decisões estratégicas de cortes na produção por grandes players internacionais, impactam diretamente o preço do QAV (Querosene de Aviação), que apresentou um ajuste médio de 53% no último mês de março.
É neste cenário de instabilidade que a escolha de um parceiro de logística torna-se uma vantagem estratégica fundamental para mitigar impactos, garantindo que a indústria mantenha seu ritmo produtivo com previsibilidade, e possa seguir abastecendo o mercado, independentemente das flutuações.
A relação direta entre o Barril Brent,QAV e a logística aérea
O Barril Brent é a principal referência global para o preço do petróleo bruto. Negociado predominantemente na Europa, com forte influência nos mercados internacionais, ele serve como termômetro para a precificação global do petróleo. Quando tensões geopolíticas se intensificam, é o Brent que registra esse movimento primeiro.
O desdobramento mais imediato dessa variação no preço do petróleo, para a aviação, é o aumento do preço do Querosene de Aviação (QAV). Como citou Marcelo Zeferino, CCO da Prestex, em entrevista para a CNN Brasil, “o querosene de aviação, na ponta final, chegou a um reajuste médio de 53% no último mês. Isso ainda não reverberou na movimentação final de carga, mas isso vai chegar no consumidor final invariavelmente.”
Esse combustível representa, historicamente, de 30% a 40% do custo operacional total de uma companhia aérea. No Brasil, embora a Petrobras produza grande parte do combustível, ainda precisamos importar aproximadamente 16% do QAV utilizado.
Portanto, quando o petróleo sobe, é matematicamente inviável que o valor do frete aéreo não acompanhe essas variações, dada a relevância do combustível na matriz de custos das operações.
O que é a taxa de combustível (Fuel Surcharge) e como ela é aplicada?
O Fuel Surcharge, ou Taxa de Combustível, é uma sobretaxa flutuante aplicada por companhias aéreas e operadores logísticos sobre o valor do Frete Básico.
Ela é calculada com base na variação do índice do petróleo e serve para equilibrar as contas diante da volatilidade do QAV. Diferente de uma tarifa fixa, essa taxa é atualizada periodicamente para refletir o custo real da operação no momento do embarque.
Para o mercado B2B, a aplicação do Fuel Surcharge deve ser vista sob a ótica da transparência. Essa taxa não representa um lucro adicional para o operador logístico, mas sim um repasse necessário para garantir a viabilidade e a continuidade das rotas aéreas.
Compreender essa estrutura de custos é fundamental para que gestores de Supply Chain possam auditar suas cotações com clareza e manter a previsibilidade financeira mínima em períodos de crise.
O efeito cascata no Supply Chain da Indústria Brasileira
O encarecimento do frete aéreo gera uma pressão inflacionária em toda a cadeia produtiva, especialmente em setores que movimentam mercadorias de alto valor agregado. Indústrias como as de componentes eletrônicos, insumos farmacêuticos e o setor automotivo sentem o impacto imediato, seja nas margens de lucro, seja na disponibilidade de serviços. E quando o custo logístico sobe, esse efeito chega, inevitavelmente, ao consumidor final.
O mercado reage a esse cenário por dois caminhos simultâneos: operadoras aéreas precisam recompor a equação financeira de cada voo, elevando o preço por quilo transportado; ao mesmo tempo, rotas economicamente inviáveis são cortadas, reduzindo a oferta de espaço disponível. O resultado é uma combinação de tarifa mais alta com menos capacidade, e o percentual do modal aéreo no transporte de cargas segue estagnado.
Diante disso, muitos gestores buscam reter estoques por mais tempo ou migrar cargas para o modal rodoviário. No entanto, essa migração sem uma análise estratégica de riscos pode esconder armadilhas perigosas para a saúde operacional da fábrica.

O que esperar dos próximos meses?
O cenário exige realismo. Segundo Marcelo Zeferino, CCO da Prestex, uma normalização para os patamares anteriores à crise é pouco provável: “retornar aos patamares pré-guerra, pré-crise econômica, eu acho muito pouco provável, uma vez que toda a cadeia acaba se ajustando. Historicamente, nós entendemos que isso nunca aconteceu, nunca conseguimos regredir a condições comerciais do passado após eventos como esse.”
Alguns fatores, no entanto, podem ajudar a aliviar a pressão:
- Isenção de impostos sobre o QAV: a medida anunciada pelo Governo Federal brasileiro deve conter parte do reajuste previsto, que chegaria a 70% ou 80%, reduzindo ao menos temporariamente a pressão sobre o setor.
- Trégua geopolítica: um cessar-fogo mais duradouro pode estabilizar o Brent, mas o impacto na cadeia logística tende a chegar com defasagem, e a imprevisibilidade ainda é alta.
- Calendário eleitoral: com eleições no horizonte, o ambiente econômico deve seguir turbulento, adicionando mais uma camada de incerteza sobre investimentos e demanda.
E é nesse cenário que a agilidade logística deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade. Quando os estoques estão baixos e o mercado dá um sinal positivo, a indústria não tem tempo a perder. E quem já tem um parceiro preparado para agir com rapidez sai em vantagem.
Frete emergencial vs. combustível: a matemática do Custo de Oportunidade
Em tempos de alta do QAV, um erro estratégico frequente é migrar envios críticos do modal aéreo para o rodoviário apenas para escapar do Fuel Surcharge. A lógica parece válida na cotação, mas ignora completamente o fator tempo, a confiabilidade da entrega e o risco real de uma operação sem o componente certo na hora certa.
E o contexto atual torna essa decisão ainda mais delicada. Com a malha aérea se retraindo, os estoques de segurança diminuindo e o ano marcado por imprevisibilidade geopolítica e eleitoral, qualquer ruptura na cadeia de suprimentos chega mais rápido e dói mais fundo. Não é o momento de abrir mão de previsibilidade logística para economizar no frete.
É aqui que o conceito de Custo de Oportunidade e Downtime precisam entrar na planilha. O custo de uma linha de montagem automotiva parada por falta de um componente, ou de um servidor de Data Center inativo, é infinitamente superior a qualquer variação no preço do combustível. Quando se coloca esse número na equação, o frete aéreo, mesmo mais caro, frequentemente é a opção mais barata da mesa.
A logística de alta performance não se baseia em buscar o menor preço de transporte. É sobre proteger a operação de danos que nenhuma planilha de cotação consegue capturar.
Como otimizar custos logísticos em tempos de alta volatilidade?
A preparação é o melhor antídoto para a instabilidade. Uma estratégia eficaz envolve o planejamento híbrido: utilizar inteligência de dados e previsão de demanda para enviar insumos de rotina por modais de custo menor, como o rodoviário dedicado ou cabotagem, enquanto se mantém parceiros homologados para a logística ultraexpressa. Ter uma estrutura pronta para agir no momento da necessidade evita contratações de última hora com fornecedores não qualificados.
Além disso, contar com operadores logísticos que possuam inteligência de malha aérea é um diferencial competitivo. Esses parceiros conseguem encontrar rotas mais eficientes, consolidar cargas quando possível e oferecer previsibilidade de prazos mesmo em cenários de crise global. A tecnologia de monitoramento em tempo real permite que o gestor tome decisões baseadas em fatos, ajustando o fluxo conforme a urgência real da carga.
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A Prestex atua como uma extensão estratégica da sua indústria, oferecendo inteligência logística para atuar em situações urgentes.
Com mais de 20 anos de experiência, mantemos total transparência na precificação e na aplicação de taxas, garantindo que o foco principal seja sempre o cumprimento do SLA e a integridade da sua operação.
Além disso, utilizamos tecnologia de monitoramento 24/7 e suporte humano ininterrupto para encontrar as rotas mais eficientes, minimizando o impacto da volatilidade do QAV na sua carga crítica.
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[FAQ]
Perguntas frequentes
O que é o Fuel Surcharge e como ele é calculado?
É uma sobretaxa flutuante aplicada sobre o frete básico para cobrir a variação do custo do combustível. Ela é atualizada periodicamente com base nas oscilações do preço do QAV e do dólar, e não representa lucro adicional para o operador logístico.
O que é QAV e por que ele impacta diretamente o preço do frete aéreo?
QAV é o Querosene de Aviação, combustível que move as aeronaves e representa entre 30% e 40% do custo operacional de uma companhia aérea. Quando o preço do petróleo sobe, o QAV sobe junto, e o frete aéreo acompanha essa variação de forma quase imediata.
Vale a pena migrar do frete aéreo para o rodoviário para reduzir custos? Depende da criticidade da carga. Para itens que não podem atrasar sem gerar downtime ou multas contratuais, a migração pode custar muito mais do que o Fuel Surcharge que se tentou economizar.
Como o preço do petróleo (Barril Brent) afeta o frete aéreo no Brasil?
O Brent é a referência global para a precificação do petróleo bruto. Como o QAV é derivado do petróleo e parte dele é importada, qualquer alta no Brent se traduz em reajuste no combustível e, consequentemente, no frete aéreo.
É possível prever o valor do Fuel Surcharge com meses de antecedência?
Não com precisão. A taxa acompanha a volatilidade do mercado de petróleo e do câmbio, o que torna qualquer projeção de longo prazo incerta. O melhor caminho é trabalhar com parceiros logísticos que ofereçam transparência na precificação e atualizações em tempo real.











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